Saudades do Céu

Saudade é uma palavra sem tradução — única em todo o mundo. Que sentimento estranho e paradoxal é esse que invade nossos pensamentos: triste e expectante ao mesmo tempo.

Do que temos saudades? Das coisas que passaram, dos amigos e amores que se foram? Talvez. Mas me ocorre que a saudade mais profunda não é daquilo que vivemos — é daquilo que nunca vivemos. Dos sonhos que não realizamos. Das declarações de amor que ficaram presas na garganta. Das viagens que não aconteceram. Dos projetos que morreram dentro da mente sem jamais ganharem forma. Dos abraços que nunca demos, dos beijos que ficaram para depois — e o depois nunca chegou.

O próprio Deus parece ter plantado isso em nós. A Bíblia diz em Eclesiastes 3:11: “Ele fez tudo apropriado ao seu tempo. Também pôs a eternidade no coração do ser humano.” Talvez a saudade seja exatamente isso: a eternidade que vive dentro de nós protestando contra o que é passageiro.

É por isso que tenho saudades de muitas coisas — mas do que tenho mais saudades é do céu.

Isso mesmo: do céu.

Talvez você não acredite que existe alguém lá em cima que goste de você. Mas pense matematicamente: são duas possibilidades. Se eu crer e o céu não existir, não perco nada. Mas se eu não crer e ele existir, perco tudo. Como disse o apóstolo Paulo em Filipenses 3:20: “A nossa pátria, porém, está nos céus.” Não como fuga da vida, mas como consciência de que somos estrangeiros neste mundo — e que há um lar nos esperando.

Amo as pessoas aqui neste lugar. Acredito nelas até que me provem o contrário. Mas há algo que a terra, com toda a sua beleza, não consegue oferecer: a permanência. Aqui tudo passa. Lá, as coisas serão eternas — se é que conseguimos ao menos começar a compreender o que isso significa.

João 14:2 traz as palavras de Jesus: “Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se não fosse assim, eu teria dito a vocês? Vou preparar lugar para vocês.” E Apocalipse 21:4 promete: “Ele enxugará dos seus olhos toda lágrima. Não haverá mais morte, nem pranto, nem choro, nem dor.”

Esses versículos não são poesia vaga — são o endereço do meu lar. É por isso que tenho saudades do céu mais do que de qualquer coisa da terra.

Como escreveu Paulo em Romanos 8:18: “Considero que os sofrimentos do tempo presente não têm valor comparável com a glória que em nós há de ser revelada.” E em 1 Coríntios 2:9: “Olhos não viram, ouvidos não ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus preparou para aqueles que o amam.”

Que a nossa saudade do céu nos faça viver melhor aqui na terra — com mais amor, mais presença, menos adiamentos.